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Encontro Nacional do Programa Mulheres Mil traz debate sobre Saúde e Cidadania, com foco na Doação de Órgãos
INCLUSÃO E DIVERSIDADE
O primeiro dia do Encontro Nacional do Programa Mulheres Mil foi finalizado com êxito: o professor Edelbert Lörsch, fundador da Associação Nacional de Pré e Pós-Transplantados (ANPPT), trouxe um relato de sua experiência através da palestra intitulada "Educação para a saúde e cidadania: a doação de órgãos no Programa Mulheres Mil".
Professor do câmpus Pelotas por quarenta e três anos, Edelbert viu sua vida mudar completamente ao descobrir uma doença: a Fibrose Pulmonar. Aposentado devido ao seu estado de saúde, o professor precisou se mudar para Porto Alegre junto de sua família, onde esperou por quase dois anos na fila de espera para receber o órgão.
"Foi uma época extremamente difícil porque a doença era progressiva, ela realmente não dava fôlego. Então foi uma doença bastante complicada, complexa, e eu tive que aguardar essa doação. E só consegui ela no apagar das luzes do segundo tempo, passado praticamente dois anos, depois que os médicos me disseram que não tinha mais o que fazer. Eu não tinha condições de receber uma doação porque a minha caixa torácica era grande e o que se tinha de doação era transplante de pequeno porte", relatou.
No dia 05 de novembro de 2022, seguindo o conselho de seus médicos, despediu-se de sua família. Já internado, sem conseguir levantar, escovar os dentes e se alimentar, o professor Edelbert acordou na madrugada do dia 06 com enfermeiras e médicos o chamando: havia recebido uma doação de um pulmão do seu tamanho.
"Essa doação veio de um jovem que morreu em um acidente e cuja família decidiu doar todos os órgãos desse rapaz. Esse rapaz salvou oito ou mais pessoas, e eu sou uma delas. Então hoje se eu carrego dois pulmões, são graças a esse rapaz cuja família permitiu a doação", explicou.
Com uma recuperação rápida, já em janeiro de 2023, iniciou seu trabalho com a Associação Nacional de Pré e Pós-Transplantados (ANPPT), onde hoje é coordenador. O objetivo da Associação é conscientizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos e tecidos, através de palestras, eventos e atos pelo Brasil.
Quando perguntado ao professor o que diria à comunidade do câmpus Pelotas, foi objetivo:
"Eu diria para nossos professores, nossos funcionários, que eles têm que avaliar muito bem essa caminhada, essa trajetória. Porque a gente nunca está livre de estar numa lista de transplante. Eu tinha uma vida saudável, mas eu nunca pensei que de uma hora para outra eu estaria numa lista de transplantes. Então eu digo para as pessoas reverem essas posições. Porque doar órgãos é doar vida, a vida após a morte. Muitas pessoas que acabam sendo doadores, elas nos permitem que outras pessoas sobrevivam, como é o meu caso, eu estou aqui porque essa família doou os órgãos. Então, as pessoas têm que refletir sobre isso. Temos que lutar por isso e temos que fazer a diferença. E em uma escola como a nossa, nós temos que fazer isso com os nossos alunos. Porque se nós mudarmos na base, se nós mudarmos com os alunos, com certeza nós vamos fazer a grande diferença", finalizou.


