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Participantes do Programa Mulheres Mil desfilam suas criações durante Encontro Nacional

INCLUSÃO E DIVERSIDADE

As participantes do Programa Mulheres Mil do Câmpus Pelotas, Câmpus Bagé e Colônia Z3 desfilaram as produções de bordados à mão com pedrarias, bordados à mão com linha e biojoias, respectivamente
publicado: 31/07/2025 13h38, última modificação: 31/07/2025 13h38

Na tarde de terça-feira (29), as participantes do Programa Mulheres Mil trouxeram suas criações diretamente para o Câmpus Pelotas, através de um desfile que combinou técnica e beleza. Foram três diferentes produções: as biojoias, produzidas pelas alunas da Colônia Z3; os bordados à mão com linha, feitos pelas alunas do Câmpus Bagé; e os bordados à mão com pedrarias, criados pelas alunas do próprio Câmpus Pelotas.

Os bordados do Câmpus Pelotas são ensinados pela professora Walkiria Brettas. No ano de 2024, foi responsável pelo nível 1 do curso, onde trouxe os pontos mais básicos. Neste ano, e já no nível 2 do curso, as alunas tiveram acesso a pontos mais complexos e a uma maior diversidade de materiais. Cada aluna foi responsável por bordar uma camiseta e um blusão, junto com a bandeja de pontos, que esteve presente nos portfólios.

Quando questionada acerca da importância do Programa na vida das alunas, a professora Walkiria destacou:

"Acredito que seja esse empoderamento, essa valorização que elas [as alunas] vão adquirindo aqui com toda essa gama de conhecimentos. Não é só o bordado, há outras disciplinas que trazem conhecimento e vão agregando. No caso do bordado, agregam valores à renda familiar, porque é um trabalho que elas aprendem e podem vender. É um empoderamento que mostra como elas possuem capacidade e, quem sabe, desabrochar uma bordadeira que pode até mesmo fundar uma cooperativa, tornar tudo maior ainda", destacou.

Para as alunas, poder apresentar seu trabalho é um momento de alegria. Gladis Rodrigues ficou sabendo do curso através de uma amiga, que havia feito o nível 1 no ano anterior.

"Estou animada pro desfile, através do curso pude conhecer muitas pessoas, fazer amizades. Eu já sabia bordar algumas coisas, de cursos de anos atrás. Mas aqui foi diferente, me dediquei e foi muito proveitoso", relatou.

O trabalho realizado na Colônia de Pescadores também foi apresentado durante o desfile. O Programa Mulheres Mil foi responsável por trazer às alunas da Z3 dois cursos: o de biojoias e outro de eletricidade e instaladora predial de baixa tensão, onde foi lecionado como montar a parte elétrica de uma casa e também manutenção de eletrodomésticos.

Para o coordenador adjunto do Programa, Marco Saalfeld da Silva, os cursos ofertados na Colônia não poderiam ser sobre agentes de empreendedorismo; deveriam ter algo em comum com a própria Z3. Com isso, ofertaram então o curso de biojoias. No entanto, tratando-se de um período pós-enchente no estado do Rio Grande do Sul, surgiu também a ideia de auxiliarem essas famílias com um curso sobre eletricidade. O projeto começou em maio de 2024, porém só conseguiu iniciar em 2025, após a enchente. As alunas tiveram diversas aulas relativas à leis, como a Lei Maria da Penha, biossegurança da mulher e também noções de matemática e português.

"O Programa foi muito importante para unir a comunidade, ainda mais após o período da enchente. As alunas viram que possuem oportunidades, depois de duas visitas ao Câmpus Pelotas, onde consegui passar para elas uma visão ampla do que é essa escola, gratuita, de qualidade. Acho que abriu muitos horizontes", destacou.

As alunas do Programa Mulheres Mil do Câmpus Bagé foram responsáveis por apresentar bordados à mão com linha. Ofertado desde 2023, o Programa acolhe atualmente trinta mulheres em situação de vulnerabilidade. Para a coordenadora, Sinara Dutra, é importante destacar que, apesar de grande parte das pessoas pensar somente em vulnerabilidades econômicas, o trabalho realizado pelo Mulheres Mil abrange diversos outros tipos de vulnerabilidades que afligem a sociedade. Em 2025, também ofertarão o curso de Cuidadora de Idosos, com o objetivo de trazer inúmeras oportunidades para as alunas.

"Normalmente, quando você fala em vulnerabilidade, nós temos um acolhimento de vulnerabilidade social na questão financeira, de moradia, de acesso a questões básicas de saúde, de acesso à questões materiais também. E não, a proposta do curso vai muito além. Essa vulnerabilidade vem do contexto social que as mulheres vivem, porque muitas das mulheres são retiradas do mercado de trabalho e também retiradas da sociedade, do movimento social. E para nós ficou muito claro nesse semestre: as alunas precisam de uma interação e acolhimento entre as mulheres pelas mulheres. Nós acolhemos as mulheres, nós não julgamos. Então é escutar, acolher e não julgar. Elas se encontraram ali umas nas outras, um apoio muito grande, que eu acho que foi o que as levou a concluir o curso", finalizou.

 

Fotos por: Ruivo Photo Place.